
Passado o Ironman Brasil, vale a pena parar pra pensar um pouco. Antes do Ironman, eu estava com a cabeça totalmente focada nessa prova, o que me fez deixar pra trás algumas coisas importantes. Agora, de volta ao mundo real, valem algumas reflexões de toda essa "loucura" boa, em todos os sentidos. Não me arrependo de nada do que fiz. E o que deixei de fazer na preparação, é porque realmente não tinha como ser feito. Como muitos não sabiam,
infelizmente no ultimo mês de preparação sofri uma lesão no joelho, que me impossibilitou de treinar como deveria e como eu poderia. Meu corpo pedia cada dia mais treino, mas uma inflamação num tendão no joelho me impossibilitou de pedalar e correr por alguns dias, às vésperas do Ironman. Na minha cabeça, eu sabia do que tinha treinado, sabia exatamente o que eu era capaz de fazer. Acho que sou um pouco novo pra isso, mas eu, contra tudo e contra todos, decidi que ia fazer a prova. Sou teimoso, não adianta, isso vem de dentro de mim, é mais forte que eu. Se eu achar que é possível fazer alguma coisa, e puder fazer bem feito, eu vou fazer, e ponto! Se acontecer de não dar certo, fica o aprendizado. Essa foi uma das poucas vezes que “falhei” em alguma coisa na minha vida, mas vamos lá, eu com meu técnico antes da largada sabíamos desse risco. Resolvi arriscar, como sempre. Acho que uma porcentagem grande de algum resultado expressivo, tem certa dose de risco. Agora, vou comentar um pouquinho sobre a prova em si. Sobre a natação, nadei bem, encaixado e sem fazer muito esforço.
Por pouco não sai junto do campeão da prova. Apenas questão de ajuste! Claro, pra provas longas, se for pensar em triathlon olímpico, tem muito a melhorar. O ciclismo, confio e acredito demais nas minhas pernas quando estou sobre a bike, mas ainda não tenho perna pra levar um Ironman a 40km/h de media. AINDA, pois eu chego lá. Pedalei o mais forte que podia, porem sempre consciente que tinha uma maratona pela frente.
No meu relógio, deu 4h48min, media de 37,6km/h. Achei bom, pra um primeiro Ironman. Mas ainda tem alguns minutos pra baixar nisso aí om toda certeza. Sobre a maratona...é, ai o bicho pegou. O bicho não, a lesão! Sai pra corrida bem tranquilo, conseguia falar com meus amigos e ouvir a multidão torcendo por mim em Jurerê. Por falar nisso, foi um momento incrível, assim como os momentos que antecederam a largada. Jamais esquecerei. Posso dizer que foi uma das maiores experiências da minha vida ver, ouvir e sentir a energia de tanta gente que tava ali torcendo por mim!
Sai no ritmo pretendido, que era de 12km/h ou 5'/km, o que fecharia uma maratona em torno de 3h30min. Tenho plena consciência de que, mesmo tendo treinado o que treinei, não seria possível correr muito mais forte que isso! E assim foi, 1, 2, 3km. Perto do km 5, comecei a sentir a dor no joelho, a lesão. Ai veio na minha cabeça o que poderia ou não fazer. Parei, alonguei muito, perdi cerca de 15 minutos parado, e, como eu estava com a vaga pra Kona na minha mão, dependia apenas de mim segura-la com todas as minhas forcas. Nesse momento eu estava entre os 15 primeiros colocados, o que estava dentro do planejado. Enfim, continuei, e, quando chegou na subida de Canasvieiras, senti uma fisgada um pouco mais forte no local da lesão. Tentei subir caminhando, mas nem assim a dor passou. Eu chorava, muito, que nem criança. Acho que o fato de chorar é normal num momento desses. Amadureci muito com isso. Eu chorava por 2 motivos: pela dor, que realmente era bem grande, e por ter que abandonar uma prova que vinha sendo quase que perfeita!!! 
Agora, passada a frustração, parei pra pensar nas minhas atitudes dentro da prova, e me dei conta que foram as melhores possíveis. Agi com inteligência, prudência. Pensei no futuro, num possível agravamento da lesão, e não só em terminar a prova naquela do “custe o que custar”. As consequências seriam piores, com uma lesão ainda maior, não quero nem pensar nisso. O importante é que eu não me arrependo. Foi legal o apoio que recebi dos verdadeiros amigos, que não me crucificaram por parar. Não foi nada disso. As pessoas entendem que foi por conta de uma lesão, e isso eu achei bem legal, e me ajudou muito nessa “recuperação” mental, por ter abandonado a prova. O apoio do meu técnico Marco La Porta que estava comigo acompanhando a prova, foi imprescindível. Grande pessoa diga-se de passagem. Quando eu o vi após a prova, ele me disse “essa foi a melhor escolha. Você foi inteligente”, não com essas palavras..mas resumindo! E uma coisa vocês, caros leitores, podem ter certeza: ano que vem, vou treinar o dobro, e não vai ter lesão que vai me tirar do pódio dessa prova!!
Agora, pensando em futuro...primeiro passo é recuperar essa lesão! Acredito que estou caminhando bem rápido pra isso, tratando com tudo que é possível e creio que segunda feira dia 13 já possa voltar a treinar normalmente, sem lesão ou coisa parecida. O proximo grande desafio é o Campeonato Panamericano de Triathlon de Longa Distancia na SUB23, a ser realizado na cidade do Panama-Panama dia 21 de agosto, exatos 6 dias antes de outro grande desafio, o Ironman Brasil 70.3 em SC. Depois tem o Mundial delonga Distância da ITU em Las Vegas, que espero conseguir alguns apoios pra participar.
Queria agradecer a Deus pela oportunidade que eu tive. Ao meu técnico pela confiança e dedicação no nosso trabalho. Obrigado a Santa Constancia pelos excelentes tecidos utilizados nos meus uniformes da 3T. Agradeço à 3T pela confiança no meu trabalho e pelo apoio com toda a parte de materiais esportivos, além do apoio emocional é claro. Obrigado ao Centro Universitário Vila Velha (UVV), CBTri, FETRISC e Programa Bolsa Atleta. Obrigado à minha família e aos meus amigos que estiveram mais próximos durante a prova, Gabriel, Damaris, Jorginho, Xande, Neto, Ezek, Sole, Bruna (obrigado também pelas belas fotos gentilmente cedidas por ela, valeu Bruna)
Podem me aguardar na largada do Ironman Brasil 2012.
Felipe Manente
Triatleta
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